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A importância do comitê de crise em tempos de Covid-19


Nenhuma crise é pré-anunciada. Ela vem de surpresa. O coronavírus é um exemplo. Em poucos dias trouxe efeitos drásticos em diversos âmbitos da sociedade. Ninguém, sejam empresas ou pessoas, se sentem plenamente preparados para lidar como uma situação adversa.


Quase sempre nesses casos surge um clima de desinformação, insegurança e confusão dentro das organizações porque as pessoas não conseguem entender os desdobramentos, a gravidade e os impactos criados num cenário pré-crise. A faísca de um potencial desastre pode vir de qualquer lado, dentro ou fora das companhias, como é o caso da pandemia da Covid-19.


É em uma hora dessas que se vê a importância de um comitê de crise, um grupo multidisciplinar que ajude a analisar a situação e a encontrar as melhores soluções para as dificuldades. “O comitê de crise vai centralizar, coordenar e direcionar as ações de uma empresa frente a um novo cenário”, explica a especialista em gestão ética e compliance, Patricia Punder, da consultoria ICTS Protiviti.


Para Patrícia, a agilidade na tomada de decisões é crucial e deve ser a tônica dessa central de gerenciamento. “Em um processo de crise, é fundamental que haja agilidade. Em processos de crise, o comitê deve ser convocado no instante zero em que a situação for identificada”, diz. “Não se deve sentar em cima do problema. Quando uma adversidade é identificada, por mais que exista insegurança das consequências daquele fato, o time de gestão de crise deve ser acionado tal qual um médico de plantão, agindo imediatamente”, compara.


A especialista lembra que o gestor do comitê também deve ter orientação do departamento de compliance ou, se a empresa for menor, de um advogado. “Não basta apenas seguir as leis neste momento de crise, mas agir sempre com ética na tomada de decisões”, explica, alertando para o fato de o coronavírus levanta questões relacionados ao caixa das empresas, cortes de gastos, redução no quadro de funcionários e operação deficitária.


Como forma de conter estes e outros efeitos, Patricia mostra às empresas maneiras práticas de como elas podem se organizar para esta situação adversa e como os comitês de crise podem apoiar este momento.


Dentre as principais responsabilidades dos comitês de crise, estão:

  1. Verificar quais são as informações mais relevantes, filtrar os dados realmente importantes, descartar versões infundadas e ouvir os responsáveis diretos sobre a ocorrência, se houver;

  2. Entender qual é o problema, sua dimensão e os desdobramentos que podem ser gerados;

  3. Implementar um plano de resposta e contingência e com a extensão das necessidades um plano de continuidade dos negócios com o objetivo de manter, dentro do possível, as principais atividades do negócio funcionando, salvaguardando a vida e saúde dos colaboradores e atendendo aos pedidos dos clientes e honrando seus compromissos;

  4. Zelar pela manutenção da rotina de trabalho da empresa, mantendo a normalidade das operações não afetadas pelo problema;

  5. Definir o conteúdo e os argumentos que vão embasar o posicionamento da empresa e elaborar mensagens-chaves tanto para o público interno, quanto para o externo;

  6. Centralizar, se for aplicável, a comunicação em um único porta-voz como forma de diminuir a ocorrência de informações desencontradas ou confusas;

  7. Garantir um processo de informação seguro e transparente, tanto para o público interno quanto externo, mostrando que a empresa está atenta aos acontecimentos e tomando as ações adequadas para resolver ou minimizar a situação o mais breve possível e com menor impacto para todos.

Mesmo que uma empresa tenha desenvolvido um planejamento detalhado e completo para lidar com a crise, é sempre importante ter em mente que um plano de gestão de crise, contingência e continuidade do negócio nunca será suficiente para minimizar totalmente os impactos do desastre e reduzir a exposição da mesma. Situações de crise sempre têm um custo e deixam cicatrizes.


E uma coisa é certa: se a sua companhia nunca passou por uma situação de crise corporativa, espere porque algum dia ela virá. E nada melhor do que estar preparado para lidar com ela.


FONTE: FCDL MG

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