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O varejo impactado pela saúde e economia: entre políticas públicas e a Covid-19


Prof. Marcos Antonio Martins Lima, Dr.

Pós-Doutor em Gestão, Economista e Consultor do Instituto de Avaliação, Gestão & Educação (IAGEE)

É sabido que pandemias vem e vão e as crises nos sistemas de saúde e ou econômicos foram mais ou menos constantes desde os primeiros tempos da Humanidade. Porém, uma crise contemporânea de alto impacto nos sistemas de saúde e econômico é desafio complexo e que requer disrupções de várias naturezas para ser superado.


A pandemia dos nossos tempos é a Covid-19 (do inglês: CoronaVirus Disease 2019) causada pelo Novo Coronavírus surgido no final de 2019 e que, desde então, vem causando inúmeros desafios para os sistemas de saúde e econômico, impactando fortemente com propagação e contágio de alta velocidade, os diversos setores produtivos e sociais de todas as nações.


Dentre esses setores, destaca-se o Varejo, que se tornou, nas últimas décadas, um setor estratégico para a economia brasileira na geração de emprego e renda (é o nosso maior empregador privado, pois a cada 4 profissionais empregados, 1 trabalha no setor de Varejo), na ampliação da capacidade de consumo através de seus sistemas internos de campanhas, cartões de vantagens e crediários ampliando a força de compra da população, e na sua representatividade que, dependendo do cenário econômico pode, em média, ser de 45% a 65% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, mas em 2018 chegou a 75,8% (Dados do IBGE de 2019).


Constata-se que nos momentos de crise no Brasil, e não será diferente com a Pandemia da Covid-19, o Varejo tende a contribuir com maior representatividade, na sustentabilidade do emprego, da renda, do consumo e em outras variáveis econômicas e sociais.


Importante lembrar que o Varejo é uma atividade humana, social e econômica que remonta aos nossos primeiros dias e relações neste Planeta. Traz, na sua essência, a capacidade de agir com relações de troca. Aliás o antropólogo francês Lèvi-Strauss (1908-2009) afirmava que as relações sociais são diversas relações de troca, dentre elas bens, serviços, signos, símbolos etc.


Essa capacidade de relações de troca que o Varejo carrega na sua essência, o habilita a buscar as soluções para os seus desafios através das relações políticas. Importante entender aqui que não se trata de relações de “toma lá – dá cá”, mas de trocas de soluções e reciprocidades que permitam superar o momento de crise, como a atual crise sanitária e epidemiológica que abalou as sociedades e seus sistemas de saúde e, em efeito dominó, seus sistemas econômicos e sociais.


As relações políticas, na busca do bem público e comum, são fundamentais para a superação dos desafios que se apresentam aos continentes, países, estados e municípios em seus setores produtivos e sociais. Na sua essência, as relações políticas também são relações públicas de troca, dentre elas bens e serviços que promovam a superação de desafios e garantam melhores condições de vida, direitos de cidadania e atendam às necessidades básicas e complexas dos segmentos que compõe a sociedade e contribuem para o melhor desenvolvimento da Saúde e da Economia.


Vê-se aqui, uma simetria entre as políticas públicas e o Varejo na regulação de interesses e demandas de múltiplos setores produtivos e sociais para a superação da Covid-19, como uma estratégia que busca maiores relações, integração e convergências entre as soluções para os sistemas de saúde e econômicos.


Neste momento da Covid-19, os vários setores produtivos no Brasil, como o Varejo, mobilizam-se no mapeamento e na proposição de políticas públicas setoriais para a superação da crise sanitária, econômica e social, e os seus impactos no setor e na sociedade.


Por ser caracterizado como um setor dinâmico no qual predomina a diversidade de segmentos e atividades de comércio e serviços, refletindo e recebendo impacto direto em toda a sociedade, o Varejo requer rapidez, prioridade e emergência na adoção de políticas públicas que melhorem as condições de funcionamento e sustentabilidade do setor e dos seus empreendimentos.


A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (Sistema CNDL), maior representante do Varejo brasileiro, tem demonstrado poder de relação e adaptação ao novo momento e às suas diferentes fases e estágios, com diversas políticas públicas emergenciais econômicas, tributárias e trabalhistas em prol do setor e da sua sustentabilidade propostas junto as lideranças governamentais, políticas e empresariais nos níveis federal, estadual e municipal.


A Covid-19 tem provocado diversas mudanças no setor verejista que vão desde o comportamento do consumidor, a aplicação de tecnologias digitais mais humanizada nas relações de troca comercial e as adaptações organizacionais por parte das empresas do Varejo na gestão do negócio.


O comportamento do consumidor durante a etapa de distanciamento social (o termo isolamento social é inadequado, pois o uso de ferramentas on line de interação social foi ampliada e até provocou, em muitos casos, maior aproximação familiar) foi alterada de um consumo focado em itens mais caros, como por exemplo eletroeletrônicos, para a ampliação do consumo de bens e serviços utilitários e mais baratos. Tudo indica que a pandemia trará novos hábitos e exigências de consumo, e ainda, com a flexibilidade gradual das regras de distanciamento, as lojas de Varejo precisarão desenvolver novas adaptações organizacionais e modelos de gestão do negócio que ajustem seus leiautes físicos de loja, gestão de equipes virtuais e de atendimento pessoal com regras de distanciamento dentro da loja e de limitação de clientes no interior da loja. Além disso, precisarão demonstrar maior maturidade na valorização das pessoas, clientes e colaboradores, com maior empatia e estratégias inovadoras de comunicação interna (endomarketing) com colaboradores e externa (marketing) com os clientes finais.


As tecnologias digitais serão ainda mais aplicadas no setor de Varejo, forçadas por estratégia ou por necessidade, e em toda a sua diversidade de segmentos (móveis, eletrodomésticos, tecidos, vestuário, calçados, farmácias, combustíveis e lubrificantes, supermercados, produtos alimentícios e bebidas, equipamentos e materiais para escritório, informática, veículos, dentre outros) que passará a atuar também no mundo virtual. Porém, de maneira mais humanizada, respeitando o momento das pessoas que estão convivendo em maior tempo nos seus domicílios, alguns trabalhando em home office (teletrabalho) e enfrentando os desafios psicológicos e sociológicos decorrentes do isolamento físico.


Neste novo momento de ampliação do e-commerce, as tecnologias tendem, no médio prazo, a serem aplicadas em níveis ainda mais complexos, com uso de inteligência artificial (IA), energia renovável (tecnologias limpas, redes colaborativas e inteligentes) e algoritmos (aplicativos e robôs digitais) que contribuirão na conquista de faturamento e de clientes, além da sua fidelização no momento pós-coronavírus.


Se a pandemia da Covid-19 representar mesmo uma mudança de Era, como vários especialistas estão projetando, o mundo do Varejo e não só este, será um ambiente de novos comportamentos por parte dos consumidores e dos varejistas, impactado em mudanças em toda a cadeia produtiva da economia mundial, nacional, regional e local.

As pandemias vão e vêm. Assim como é certo que o Coronavírus também vai passar, mas enquanto não dispomos de anticorpos eficazes ou vacinas validadas pelas autoridades de saúde, o setor de Varejo e seus empreendedores precisarão adotar soluções disruptivas e aplicar a lei do grande biólogo e naturalista inglês, Charles Darwin (1809-1882): “Não são os mais fortes da espécie que sobrevivem, nem os mais inteligentes, mas sim os que respondem melhor às mudanças”.


Essa afirmação, fez-me lembrar que a prosperidade coletiva de uma Nação vai depender da sua capacidade colaborativa de mudar de acordo com a dinâmica das crises que afetam a Vida nos seus sistemas econômicos e de saúde, ambos fundamentais para a melhor superação de mais essa pandemia.



Fonte: FCDL MG

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