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Organizações como plataformas de desenvolvimento humano



As relações de trabalho estão mudando. Se as gerações anteriores enxergavam o trabalho como um veículo de movimentação social e de formação de classe social, com o único objetivo de ganhar status e dinheiro, agora, garantir a renda no final do mês é importante, mas desenvolver um propósito com aquilo que trabalha também é, além de tornar todo o processo mais prazeroso.


Hoje, as organizações devem ser plataformas de desenvolvimento humano e contar com um ambiente baseado na escuta e reciprocidade. Para Alexandre Pellaes, palestrante, pesquisador e especialista em Modelos de Gestão Compartilhada, as empresas devem esquecer hierarquias e crachás e passar a: escutar um pouco mais os colaboradores e vice e versa; estimular os funcionários a trabalharem com propósito; e fazer com que enxerguem o trabalho como algo que representa muito mais do que o “meio de pagar as suas contas no final do mês”.


O segredo é fazer com que os trabalhadores se sintam parte de um todo onde sejam ouvidos e vistos e ainda possam desenvolver suas habilidades profissionais e pessoais.


Mas claro, tudo isso com um certo limite.


“Ser uma plataforma de desenvolvimento humano é reconhecer que o papel da empresa na vida de quem trabalha lá é maior do que só pagar o salário e benefícios. É permitir que aquela pessoa se torne melhor, mas não é deixar que ela faça tudo do jeito que ela quer, porque em poucas vezes na nossa vida o nosso melhor está atrelado ao nosso desejo, está muito mais atrelado a nossa potência, necessidades e desafios, embora muita gente caia na tentação do conforto”, ressalta o especialista, que participou do episódio #110 do Varejo S.A. Podcast, divulgado ontem (22).


Ainda de acordo com o palestrante, a hierarquia pode criar pontos cegos em uma liderança e criar uma ilusão de que tem condições de tomar decisões que às vezes não tem. “Ser o dono ou estar em um cargo alto não necessariamente garante àquela pessoa que saiba tudo ou irá tomar sempre as melhores decisões sozinha. Por isso, é fundamental quebrar essa barreira e abrir um canal de trabalho em conjunto e escuta”.


Confira 5 dicas de Alexandre Pellaes para tornar o seu negócio em uma plataforma de desenvolvimento humano:

1. Ilusão do poder de controle Acabe com a crença de que ‘ser o líder’ significa ter poder de decisão e o controle total.

Isso pode levar os gestores a ignorarem conhecimentos valiosos presentes em sua equipe e criar uma dinâmica na qual os gestores, muitas vezes, acreditam que devem ter todas as respostas, mesmo quando não possuem o conhecimento necessário.

2. Reconhecendo as competências da sua equipe Dentro da estrutura hierárquica, os gestores podem acabar não reconhecendo os membros da equipe que possuem expertise em áreas específicas que ultrapassam a deles. A falta dessa consciência pode resultar em decisões erradas e na subutilização do potencial da equipe. Além disso, pode desmotivar e até afastar aquele colaborador.

3. Sobrecarga e possível “infantilização” Ao assumir todas as decisões, a liderança pode ficar sobrecarregada, enquanto os liderados podem se tornar passivos, sem proatividade para solucionar problemas e realizando tarefas conforme forem demandados. Segundo o especialista, a infantilização da equipe ocorre quando as pessoas se abstêm de agir diante de desafios, e isso pode ser um reflexo das atitudes da liderança.

4. Baixando os crachás e abrindo o canal de escuta Para ser um bom líder, você precisa criar um canal de escuta e trabalhar com a vulnerabilidade. “O dono ou o líder não vão ter todas as respostas, e saber reconhecer isso e escutar a sua equipe, principalmente no momento de tomada de decisões, pode ser um grande ponto pra uma boa gestão”, comenta Pellaes. Proporcionar um ambiente onde as pessoas se sintam à vontade para compartilhar suas ideias e opiniões e reconhecer sempre que for possível que o conhecimento não se concentra apenas na hierarquia superior, é essencial para um processo decisório de sucesso.

5. Descentralizando o poder de decisão Realizar a reorganização da compreensão do papel da liderança não implica a eliminação da hierarquia, mas sim na distribuição do poder decisório. Ao descentralizar as decisões, a liderança pode descobrir ideias inovadoras e soluções que não teriam surgido em um ambiente rigidamente hierárquico, além de mostrarem para os colaboradores que eles também fazem parte do processo. A superação dos desafios da hierarquia na liderança requer uma mudança de mentalidade, onde a vulnerabilidade é valorizada, o conhecimento interno é reconhecido, e o poder decisório é compartilhado. Isso não apenas alivia a sobrecarga da liderança, mas também permite o surgimento de ideias brilhantes e soluções inovadoras que, de outra forma, poderiam permanecer não reveladas.

Gostou do conteúdo? Então, vem conferir mais dicas no programa desta semana do Varejo S.A Podcast!


FONTE: VAREJO S.A.

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